No ano do centenário de Luiz Gonzaga (1912 –
1989), a gravadora Biscoito Fino coloca nas lojas ‘Forró do Boca’, álbum que
repõe em cena Paulinho Boca de Cantor. O baiano, que fez parte do grupo Novos
Baianos, enfileira composições autorais e clássicos como ‘Na base da chinela’
(Jackson do Pandeiro/ Rosil Cavalcanti), ‘O xote das meninas’ (Zé Dantas/ Luiz
Gonzaga) e ‘Sabiá’ (Zé Dantas/ Luiz Gonzaga) agrupados em pouts-pourris
temáticos. Instrumento com o qual Gonzagão ensinou ao país como se dança o
baião – e o xote, o coco e o xaxado, entre outros ritmos nordestinos –, a
sanfona passeia pelas 14 faixas do CD de forma burocrática. Embora correto, o
canto de Paulinho Boca de Cantor não chega a empolgar. Entre a mediana ‘Xote
cardiovascular’ (Carlinhos Vergueiro/ Paulinho Boca/ Carlinhos Marques) e a
equivocada ‘Seu preconceito’ (Luiz Caldas/ Paulinho Boca), o álbum carece do
reconhecido vigor do velho Gonzaga, a quem a faixa ‘Se Seu Luiz tivesse vivo’
(Luiz Caldas/ Paulinho Boca) é dedicada.
Jair Rodrigues lançou o álbum ‘Orgulho de um sambista’ pela gravadora Philips em 1973. O samba vivia um momento de revalorização no início da década de 1970 e Jair era um dos principais intérpretes do gênero desde seu disco de estreia, ‘O samba como ele é’ (1964). Em ‘Orgulho de um sambista’, o paulista de Igarapava pôs sua voz poderosa, sua ginga e sua alegria inconfundíveis a serviço de um expressivo repertório. Do conterrâneo Gilson de Souza, Jair gravou quatro composições marcadas por certa melancolia: ‘Sou da madrugada’ (Gilson/ Wando), ‘Carnaval não envelhece’, ‘Folia, carnaval e cinzas’ (Gilson/ Jair Rodrigues) e a faixa-título do disco, que se tornou um sucesso nacional. Como dizia o poeta Vinicius de Moraes: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza” – e a mistura de samba, folia e tristeza rendeu outros belos momentos, como ‘Certeza’ (Beto Scala/ São Beto), ‘Estrela do morro’ (Edil Pacheco/ Paulinho Diniz) e o pot-pourri com ‘Ninguém sofre mais...

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