Lançadas oficialmente hoje pela gravadora Sony Music, apenas
no formato digital, na chamada edição “deluxe” de ‘Estratosférica’, ‘Vou buscar
você pra mim’ (Guilherme Arantes) e ‘Átimo de som’ (Arnaldo Antunes/ José
Miguel Wisnik), as duas inéditas que ficaram de fora do recente disco de Gal
Costa, já rodam entre os fãs há dias. Primeira composição de Guilherme gravada
por Gal, a bossa nova ‘Vou buscar você pra mim’ é, ao lado de ‘Quando você olha
pra ela’, a mais palatável das faixas. O autor de ‘Coisas do Brasil’ ratifica
sua via pop-mpbística na canção que renderia melhor com um arranjo mais
clássico. Já a etérea e conceitual ‘Átimo de som’ se revela uma belíssima
canção, ao falar do sentimento que o som pode causar, feita na medida para a
voz de Gal e encerraria ‘Estratosférica’ com precisão. Depois de ouvi-las e
aprecia-las, vem a inevitável pergunta: Por que as duas ficaram de fora se são
melhores do que muitas faixas irregulares, que diluem a beleza de
‘Estratosférica’?
Jair Rodrigues lançou o álbum ‘Orgulho de um sambista’ pela gravadora Philips em 1973. O samba vivia um momento de revalorização no início da década de 1970 e Jair era um dos principais intérpretes do gênero desde seu disco de estreia, ‘O samba como ele é’ (1964). Em ‘Orgulho de um sambista’, o paulista de Igarapava pôs sua voz poderosa, sua ginga e sua alegria inconfundíveis a serviço de um expressivo repertório. Do conterrâneo Gilson de Souza, Jair gravou quatro composições marcadas por certa melancolia: ‘Sou da madrugada’ (Gilson/ Wando), ‘Carnaval não envelhece’, ‘Folia, carnaval e cinzas’ (Gilson/ Jair Rodrigues) e a faixa-título do disco, que se tornou um sucesso nacional. Como dizia o poeta Vinicius de Moraes: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza” – e a mistura de samba, folia e tristeza rendeu outros belos momentos, como ‘Certeza’ (Beto Scala/ São Beto), ‘Estrela do morro’ (Edil Pacheco/ Paulinho Diniz) e o pot-pourri com ‘Ninguém sofre mais...

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