Das 100 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 2014, 59 são
sertanejas. Enquanto o pop rock tupiniquim esta representado apenas por Skank
(‘Ela me deixou’, 81ª posição) e Jota Quest (‘Waiting for you’, 98º lugar) a
MPB nem aparece na lista divulgada pela empresa de monitoramento Crowley. A
falta de pluralidade nas programações das emissoras não reflete a profusão de importantes
lançamentos musicais do ano. Um dos grandes compositores da época áurea da MPB,
Dori Caymmi festejou 70 anos com um primoroso disco de inéditas parcerias com
Paulo César Pinheiro, de onde mais tarde, Maria Bethânia retiraria ‘Alguém
cantando’, pérola que abre ‘Meus quintais’, álbum em que a baiana reitera sua coerência
artística com requinte. De modo semelhante, Mônica Salmaso brindou o público
com o belíssimo ‘Corpo de baile’, CD dedicado às canções de Guinga e Paulo
César Pinheiro. Embalado pelo samba e por outras bossas, Luiz Melodia brilhou
em ‘Zerima’, ótimo disco de inéditas. Rita Benneditto quebrou o longo jejum
fonográfico com o bem-cuidado ‘Encanto’. Formada por Mallu Magalhães, Marcelo
Camelo e Fred Ferreira, a Banda do Mar conseguiu entrar na programação de
algumas rádios com seu dançante e apaixonado CD de estreia, que pode vir a ser a sensação pop do
próximo ano, figurando – e arejando –, quem sabe, na lista das mais tocadas de
2015.
Lançado em 1996, Âmbar é o 20º disco de carreira de Maria Bethânia. Dois anos após o estrondoso sucesso de As canções que você fez pra mim , a cantora se desligou da Polygram e voltou à gravadora EMI. Para comemorar seus 50 anos, Bethânia reuniu novos compositores da MPB que, a partir de então, passaram a constar em seus trabalhos. São de Adriana Calcanhotto a faixa-título e Uns versos , duas joias de intenso brilho na interpretação da diva baiana. Chico César assina Invocação , faixa de forte teor religioso, com a participação especial de Virgínia Rodrigues, além de Onde estará o meu amor , tristonha toada que se tornou o sucesso do disco. Carlinhos Brown aparece com a singela Allez y e com Lua vermelha , em parceria com Arnaldo Antunes, samba que evoca a saudade de Luiz Gonzaga. Com seu reconhecido dom de coser repertórios insuspeitáveis, Maria Bethânia resgata do glorioso passado da música popular brasileira os clássicos Chão de estrelas (Sílvio Caldas/Orestes Barbosa) e ...

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