Lançado em 1996, Âmbar é o 20º disco de carreira de Maria Bethânia. Dois anos após o estrondoso sucesso de As canções que você fez pra mim, a cantora se desligou da Polygram e voltou à gravadora EMI. Para comemorar seus 50 anos, Bethânia reuniu novos compositores da MPB que, a partir de então, passaram a constar em seus trabalhos.
São de Adriana Calcanhotto a faixa-título e Uns versos, duas joias de intenso brilho na interpretação da diva baiana. Chico César assina Invocação, faixa de forte teor religioso, com a participação especial de Virgínia Rodrigues, além de Onde estará o meu amor, tristonha toada que se tornou o sucesso do disco. Carlinhos Brown aparece com a singela Allez y e com Lua vermelha, em parceria com Arnaldo Antunes, samba que evoca a saudade de Luiz Gonzaga.
Com seu reconhecido dom de coser repertórios insuspeitáveis, Maria
Bethânia resgata do glorioso passado da música popular brasileira os clássicos Chão
de estrelas (Sílvio Caldas/Orestes Barbosa) e Ave Maria (Vicente
Paiva/Jaime Redondo), dois momentos sublimes de Âmbar. A participação
afetiva de Chico Buarque em Quando eu penso na Bahia (Ary Barroso)
reforça a ligação musical entre os dois astros.
Entre artistas em ascensão naquela década e clássicos atemporais, surgem
presenças habituais na discografia de Bethânia. O irmão Caetano assina O
eterno em mim, bela canção que passou despercebida na época e merece
reavaliação. Pungente, Todos os lugares traz a rubrica de Sueli Costa e
Tite de Lemos.
Produzido por Guto Graça Mello, o álbum foi gravado e mixado em estúdios
no Brasil e no exterior, com músicos de destaque como Jaime Alem (violão),
Jorge Helder (contrabaixo), Paulinho da Costa (percussão) e Victor Biglione
(guitarra). Âmbar é um dos mais bonitos e luxuosos discos de Maria
Bethânia. Lamentavelmente, apesar de sua beleza e relevância, o disco ainda não
está disponível nas plataformas de streaming.

Comentários