Lançado de
forma independente, ‘Viamundo’ é o terceiro disco do violonista, compositor e
arranjador mineiro Thiago Delegado. Transitando entre variantes do samba na
maioria das faixas, o álbum predominantemente instrumental – e autoral – apresenta
belos temas, como ‘Cansei de ser enganado’, ‘Viamundo’ e ‘Sarau pro Sr. Mozart’ –
este, um agradável chorinho, que homenageia o tradicional violonista e chorão
mineiro Mozart Secundino. O acriano João Donato está presente na elegante ‘A
camisa do Donato’. Com seu virtuoso dedilhado no violão de 7 cordas, Thiago também
presta tributo ao famoso clube musical fundado nas ruas de Belo Horizonte na
década de 1970 em ‘Clube do pagode da esquina’ (Thiago Delegado/ Aloizio
Horta). Quatro canções recebem as vozes
de artistas convidados. O buliçoso ‘Malandrote’ (Thiago Delegado/ Edu Krieger)
traz Aline Calixto, cantora mineira que Delegado dirige há cinco anos, em bom
momento. Outro conterrâneo, Fernando Bento canta com correção o samba exaltação
‘Terreiro do Brasil’ (Thiago Delegado/ Murilo Antunes). Canção mais próxima da MPB, ‘Se
acontecer’ (Thiago Delegado/ Aloizio Horta/ Edu Krieger) ganha a voz de Leila Pinheiro e a guitarra de
Roberto Menescal. Finalmente, ‘Quanto mais’ (Thiago Delegado/ Ricardo
Nazar), samba de sotaque bossa-novístico, se destaca na voz quente da
paulistana Fabiana Cozza. Produzido por Thiago Delegado e pelo pianista
Christiano Caldas, ‘Viamundo’ é novo registro da
criatividade e da técnica de um ótimo músico.
Jair Rodrigues lançou o álbum ‘Orgulho de um sambista’ pela gravadora Philips em 1973. O samba vivia um momento de revalorização no início da década de 1970 e Jair era um dos principais intérpretes do gênero desde seu disco de estreia, ‘O samba como ele é’ (1964). Em ‘Orgulho de um sambista’, o paulista de Igarapava pôs sua voz poderosa, sua ginga e sua alegria inconfundíveis a serviço de um expressivo repertório. Do conterrâneo Gilson de Souza, Jair gravou quatro composições marcadas por certa melancolia: ‘Sou da madrugada’ (Gilson/ Wando), ‘Carnaval não envelhece’, ‘Folia, carnaval e cinzas’ (Gilson/ Jair Rodrigues) e a faixa-título do disco, que se tornou um sucesso nacional. Como dizia o poeta Vinicius de Moraes: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza” – e a mistura de samba, folia e tristeza rendeu outros belos momentos, como ‘Certeza’ (Beto Scala/ São Beto), ‘Estrela do morro’ (Edil Pacheco/ Paulinho Diniz) e o pot-pourri com ‘Ninguém sofre mais...

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