Lançado originalmente no Japão, em 2011, pelo selo londrino Far Out
Recordings, o álbum ‘Rio’, da cantora, compositora e violonista Joyce Moreno
chega às praias nativas, via gravadora Biscoito Fino, a tempo de embarcar nas
comemorações dos 450 anos da “Cidade Maravilhosa”. Reproduzidas no encarte, belas
imagens de um Rio de Janeiro dourado, praticamente selvagem, com suas montanhas
em contraluz, a esconder as favelas – e mazelas – são traduzidas em canções que
também enaltecem as belezas naturais da orla carioca. São canções como ‘Adeus
América’ (Haroldo Barbosa/ Geraldo Jaques), ‘Samba do carioca’ (Carlos Lyra/
Vinicius de Moraes), ‘Manhã no Posto 6’ (Armando Cavalcanti), ‘Valsa de uma
cidade’ (Ismael Netto/ Antônio Maria) e ‘O mar’, movimento da ‘Sinfonia do Rio
de Janeiro’ composta por Tom Jobim e Billy Blanco. Um deslocado samba paulista,
‘As mariposa’ (Adoniram Barbosa), surge unido ao carioquíssimo ‘Com que roupa’
(Noel Rosa), desfocando o cartão postal sonoro da cantora. Pela batida bossanovística
do violão de Joyce também passam ‘Vela no breu’ (Paulinho da Viola/ Sergio
Natureza), ‘Desde que o samba é samba’ (Caetano Veloso), ‘Mascarada’ (Elton
Medeiros/ Zé Kéti) e ‘Feitio de Oração’ (Noel Rosa), além de canções de sua
própria lavra, como ‘Rio meu’ e ‘Tardes cariocas’. Tudo correto, mas sem alcançar a
tal decantada beleza, que faz o carioca aplaudir até mesmo o mais simples
pôr-do-sol.
Jair Rodrigues lançou o álbum ‘Orgulho de um sambista’ pela gravadora Philips em 1973. O samba vivia um momento de revalorização no início da década de 1970 e Jair era um dos principais intérpretes do gênero desde seu disco de estreia, ‘O samba como ele é’ (1964). Em ‘Orgulho de um sambista’, o paulista de Igarapava pôs sua voz poderosa, sua ginga e sua alegria inconfundíveis a serviço de um expressivo repertório. Do conterrâneo Gilson de Souza, Jair gravou quatro composições marcadas por certa melancolia: ‘Sou da madrugada’ (Gilson/ Wando), ‘Carnaval não envelhece’, ‘Folia, carnaval e cinzas’ (Gilson/ Jair Rodrigues) e a faixa-título do disco, que se tornou um sucesso nacional. Como dizia o poeta Vinicius de Moraes: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza” – e a mistura de samba, folia e tristeza rendeu outros belos momentos, como ‘Certeza’ (Beto Scala/ São Beto), ‘Estrela do morro’ (Edil Pacheco/ Paulinho Diniz) e o pot-pourri com ‘Ninguém sofre mais...

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