Pular para o conteúdo principal

Wilson das Neves dá aula de estilo e elegância em 'Se me chamar, ô sorte'


“Meu samba tem pedigree”, avisa o veterano Wilson das Neves no belo ‘Samba para João’, assinado com Chico Buarque, que encerra ‘Se me chamar, ô sorte’ (MP,B Discos/ Universal Music), seu novo CD. Baterista requisitado por grandes nomes da música popular brasileira, integrante da Orquestra Imperial e da banda que acompanha Buarque, das Neves destila a costumeira elegância no álbum produzido por ele, Paulo César Pinheiro e Berna Ceppas. Os caprichados arranjos de Cláudio Jorge, Vittor Santos, João Rebouças, Zé Luiz Maia, Jorge Helder, Bia Paes Leme e Luís Claudio Ramos, realçam o estiloso e certeiro fraseado do sambista que, na contramão da preguiçosa opção pelas recorrentes regravações, apresenta 14 faixas originais.
Com o parceiro mais constante, Paulo César Pinheiro, Wilson assina ‘Cara de queixa’, ‘Trato’, ‘Jeito errado’, ‘Licor, sereno e mágoas’, ‘Máscara de cera’ e ‘Peão de obra’. Tuninho Gerais (‘O dono da razão’), Luiz Carlos da Vila (‘Ao nosso amor maior’), Nelson Sargento (‘Fragmentos do amor’), Toninho Nascimento (‘Limites’), Delcio Carvalho (‘Não existe mais saudade’) e Vitor Bezerra (‘Feito siameses’) completam o time de craques. A espirituosa faixa-título traz a participação de seu co-autor, o tarimbado violonista Cláudio Jorge. 
Referência para antigas e novas gerações, Wilson das Neves reafirma sua genialidade para além das baquetas. O cantor e o compositor também são mestres.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A voz do samba - O primeiro disco de Alcione

  “Quando eu não puder pisar mais na Avenida/ Quando as minhas pernas não puderem aguentar/ Levar meu corpo junto com meu samba/ O meu anel de bamba/ Entrego a quem mereça usar”. Ao lançar seu primeiro disco, ‘A voz do samba’, em 1975, Alcione viu os versos melancólicos de ‘Não deixe o samba morrer’ (Edson Conceição/ Aloísio Silva) ganharem o país, tornando-se o primeiro sucesso da jovem cantora. Radicada no Rio de Janeiro desde 1967, a maranhense cantava em casas noturnas que marcaram época nas noites cariocas. Nestas apresentações, seu abrangente repertório incluía diferentes gêneros da música brasileira, além de canções francesas, italianas e norte-americanas também presentes no rádio. Enquanto isso, o samba conquistava novos espaços na década de 1970. Em 1974, Clara Nunes viu sua carreira firmar-se nacionalmente com o disco ‘Alvorecer’, do sucesso de ‘Conto de areia’ (Romildo Bastos/ Toninho Nascimento). No mesmo ano, Beth Carvalho obteve seu primeiro êxito como sambista com ‘1...

'Talismã': Bethânia entre o existencial e o popular - Há 45 anos

          Lançado em 1980, ‘Talismã’ manteve a popularidade e o êxito comercial conquistados por Maria Bethânia com seus álbuns ‘Álibi’ (1978) e ‘Mel’ (1979). Menos sensual e mais existencialista, o disco reúne composições inéditas que se tornaram sucessos, além de regravações de canções dos anos 1950. A tristonha ‘Mentira de amor’ (Lourival Faissal/ Gustavo de Carvalho) e o bolero ‘Eu tenho um pecado novo’ (Alberto Martinez/ Mariano Moares/ versão: Lourival Faissal) foram pinçadas do repertório de Dalva de Oliveira. O samba-canção ‘Cansei de ilusões’ é um clássico de Tito Madi. O mano Caetano comparece com quatro músicas novas: o marcante bolero ‘Vida real’; a delicada ‘Pele’, feita originalmente para Roberto Carlos; o místico samba ‘Gema’ e a impetuosa faixa-título ‘Talismã’, parceria com Waly Salomão. Feliz composição de Dona Ivone Lara, o samba ‘Alguém me avisou’ reúne Bethânia, Caetano e Gilberto Gil e se tornou um dos hits do disco. Gil é o autor de ‘...

Orgulho de um Sambista - Jair Rodrigues e a melancolia dos antigos carnavais

  Jair Rodrigues lançou o álbum ‘Orgulho de um sambista’ pela gravadora Philips em 1973. O samba vivia um momento de revalorização no início da década de 1970 e Jair era um dos principais intérpretes do gênero desde seu disco de estreia, ‘O samba como ele é’ (1964). Em ‘Orgulho de um sambista’, o paulista de Igarapava pôs sua voz poderosa, sua ginga e sua alegria inconfundíveis a serviço de um expressivo repertório. Do conterrâneo Gilson de Souza, Jair gravou quatro composições marcadas por certa melancolia: ‘Sou da madrugada’ (Gilson/ Wando), ‘Carnaval não envelhece’, ‘Folia, carnaval e cinzas’ (Gilson/ Jair Rodrigues) e a faixa-título do disco, que se tornou um sucesso nacional. Como dizia o poeta Vinicius de Moraes: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza” – e a mistura de samba, folia e tristeza rendeu outros belos momentos, como ‘Certeza’ (Beto Scala/ São Beto), ‘Estrela do morro’ (Edil Pacheco/ Paulinho Diniz) e o pot-pourri com ‘Ninguém sofre mais...