Pular para o conteúdo principal

Os olhos de onda de Adriana Calcanhotto finalmente miram o público carioca


Finalmente os ‘Olhos de onda’ de Adriana Calcanhotto miraram o público carioca. Após estrear em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em abril de 2013, e em seguida passar por Portugal, Itália e Inglaterra, além das cidades de São Paulo, Fortaleza, Natal, Recife e Porto Alegre, o novo show da artista foi registrado na noite de sábado, 01 de fevereiro de 2014, na casa de espetáculos Vivo Rio, no Aterro do Flamengo. A apresentação minimalista centrada apenas na artista e no seu violão, retomado após um período de afastamento por causa de uma lesão na mão direita, será lançada em CD e DVD ainda este ano.
Além do instrumento, Adriana também se voltou para antigas canções próprias, como ‘Inverno’ (c/ Antônio Cícero), ‘Metade’ e ‘Esquadros’, e alheias, como ‘Me dê motivo’ (Michael Sullivan/Paulo Massadas), dor de cotovelo perpetuada por Tim Maia (1942 – 1998) e ‘Três’ (Marina Lima/Antônio Cícero), tango impressionista lançado por Marina Lima no álbum ‘Lá nos primórdios’ (2006). A boa versão de ‘Back to black’, hit de Amy Winehouse (1983 – 2011), mereceu aplausos entusiasmados. Do repertório da musa Maria Bethânia, Calcanhotto registrou pela primeira vez ‘Tua’, composição que deu título ao CD da baiana em 2009, e ‘Cantada’, de ‘Maricotinha’ (2001), lançada por Bethânia com o título de ‘Depois de ter você’.
Declarada fonte de inspiração, o Rio de Janeiro (“cheguei aqui num mês de fevereiro e não pretendo sair mais”) foi lembrado já no primeiro número em ‘O nome da cidade’ (Caetano Veloso), cujos belos versos ganharam sentido renovado na interpretação sutil de Adriana. No bis, a homenagem aos habitantes bronzeados da Cidade de São Sebastião, ‘Cariocas’, inflou o ego da plateia, prontamente atendida pela artista que, a pedidos, relembrou ‘Metade’, ‘Vambora’ e ‘Devolva-me’ (Lilian Knapp/Renato Barros) – esta interpretada logo após a menos conhecida ‘Maldito rádio’, feita para a trilha sonora da novela ‘Cheias de charme’, assim como ‘Canção de novela’, da trilha de ‘Passione’.
Em noite especialmente iluminada, Adriana Calcanhotto ainda cantou lindamente ‘Seu pensamento’ (c/ Dé Palmeira), melhor faixa do CD ‘Maré’ (2004), apresentou as inéditas ‘Olhos de onda’, ‘E sendo amor’ e ‘Motivos reais banais’ (c/Waly Salomão) e se despediu com ‘Maresia’. Diferentemente do marinheiro citado na canção de Paulo Machado e Antônio Cícero, Adriana deixou não apenas um, mas muitos amores neste porto chamado Rio de Janeiro..

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A voz do samba - O primeiro disco de Alcione

  “Quando eu não puder pisar mais na Avenida/ Quando as minhas pernas não puderem aguentar/ Levar meu corpo junto com meu samba/ O meu anel de bamba/ Entrego a quem mereça usar”. Ao lançar seu primeiro disco, ‘A voz do samba’, em 1975, Alcione viu os versos melancólicos de ‘Não deixe o samba morrer’ (Edson Conceição/ Aloísio Silva) ganharem o país, tornando-se o primeiro sucesso da jovem cantora. Radicada no Rio de Janeiro desde 1967, a maranhense cantava em casas noturnas que marcaram época nas noites cariocas. Nestas apresentações, seu abrangente repertório incluía diferentes gêneros da música brasileira, além de canções francesas, italianas e norte-americanas também presentes no rádio. Enquanto isso, o samba conquistava novos espaços na década de 1970. Em 1974, Clara Nunes viu sua carreira firmar-se nacionalmente com o disco ‘Alvorecer’, do sucesso de ‘Conto de areia’ (Romildo Bastos/ Toninho Nascimento). No mesmo ano, Beth Carvalho obteve seu primeiro êxito como sambista com ‘1...

Galeria do Amor 50 anos – Timóteo fora do armário (ou quase)

  Agnaldo Timóteo lançou o disco ‘Galeria do amor’ em 1975. Em pleno regime militar, o ídolo popular, conhecido por sua voz grandiloquente e seu temperamento explosivo, ousou ao compor e cantar a balada sobre “um lugar de emoções diferentes/ Onde a gente que é gente/ Se entende/ Onde pode se amar livremente”. A canção, que se tornaria um sucesso nacional, foi inspirada na famosa Galeria Alaska, antigo ponto de encontro dos homossexuais na Zona Sul carioca – o que passaria despercebido por boa parte de seu público conservador. O mineiro de Caratinga já havia suscitado a temática gay no disco ‘Obrigado, querida’, de 1967. A romântica ‘Meu grito’, feita por Roberto Carlos para a sua futura mulher, Nice, ganhou outras conotações na voz poderosa de Timóteo. “Ai que vontade de gritar seu nome, bem alto no infinito (...), só falo bem baixinho e não conto pra ninguém/ pra ninguém saber seu nome, eu grito só ‘meu bem'”, canta Agnaldo, que nunca assumiria sua suposta homossexualidade. ...

Nana Caymmi ganhou precioso documentário em 2010

Nana Caymmi (1941 – 2025) é a personagem principal de ‘Rio Sonata’ (2010), documentário dirigido pelo franco-suíço Georges Gachot. “Só mesmo um francês para entender o que faço, para fazer um filme. Público eu tenho em qualquer lugar, mas ele colocou a artista, a intérprete — coisa que o Brasil não conseguiu fazer nas telas porque eu não rendo dinheiro. Chama-se cultura, arte”, disse Nana à época do lançamento. Longe dos clichês cinematográficos, Georges surpreende ao mostrar a cidade natal de Dinahir Tostes Caymmi nublada e ainda mais portentosa como moldura para as canções entoadas por Nana. O mar cantado pelo patriarca dos Caymmi está lá, agitado, dividindo preciosas cenas com a Mata Atlântica que sempre corre o risco de ser encoberta por nuvens. Gachot dá ares impressionistas ao seu filme, sugerindo um sobrevoo pela cidade e pela carreira da cantora. Nada disso desvia a atenção da estrela que fala sobre sua vida, família e carreira nos 84 minutos de duração de ‘Rio Sonata’. O amor ...