Pular para o conteúdo principal

Chovia lá fora...


Quando, ontem à noite, Roberto Carlos parou seu calhambeque no palco montado no gramado do Maracanã não imaginou que, mais tarde, quase precisaria de uma balsa. A forte chuva fez com que vários fãs que estavam na área VIP e nas cadeiras azuis saíssem no meio da apresentação do cantor procurando abrigo. Alguns chegaram a ir embora.
O show fez parte das comemorações dos 50 anos de carreira de Roberto, e o repertório deixou os súditos felizes (apesar de molhados). Músicas como 'Do fundo do meu coração', 'Proposta' e 'Cavalgada' foram cantandas por 70 mil pessoas. Erasmo Carlos e Wanderléa participaram do momento mais nostálgico da noite, lembrando a Jovem Guarda.
Nem o som ruim - das cadeiras azuis não se ouvia os comentários que o Rei fazia entre uma canção e outra, nem a falta de educação de bombeiros e funcionários da limpeza do estádio - que falavam alto e respondiam agressivamente a qualquer reclamação, tiraram a magia da noite. Principalmente para minha mãe, que voltava ao Maracanã 40 anos depois. Show do Roberto, com meus pais juntos, não tem preço.
Obs.: Impressionam as incontáveis goteiras nas rampas do Maracanã. Será que o Comitê Olímpico Internacional aprovaria o estádio se o visitasse em um dia chuvoso? Nada que milhões de reais não resolvam, afinal, nossas escolas e hospitais estão tinindo, e o dinheiro está sobrando.

Comentários

Guilherme Scarpa disse…
Fiquei os olhos cheios d'água qnd ele entrou no calhambeque. Gostei muito do show, mesmo com o aquele som indecente. Senti falta de duas músicas dele que eu amo "As Curvas da Estrada de Santos" e "Como 2 e 2". hehehehe.
É, seria lindo ouvi-lo cantar 'As curvas...', também adoro.
Gabriela disse…
O show foi lindo mesmo, e no ponto das cadeiras azuis onde eu estava com a família, até ouvimos e vimos bem. Pra mim não faltou nada, pq ele cantou as minhas favoritas - "Eu te amo", "Detalhes", "Cama e Mesa". Fazia tempo que eu não ia num show em família, muito bom!
Kamille disse…
O show foi lindo, como sempre. Só o som HORRÍVEL que foi corta-tesão. Nessas horas a gente vê a diferença pras produções estrangeiras - e olha que não é qualquer artista, ele é um dos maiores do Brasil, né?
Cristiane disse…
Concordo com cada comentário. Mas acrescento: as filas e a falta de informação sobre os portões estavam indecentes, aqueles balões em forma de coração que lembravam a Nestlé se transformaram de fofos em um insulto por causa da ventania e do povo que os carregava e ignorava que apanhávamos dos balões nas cadeiras azuis. O som realmente estava sofrível, sem falar nos telões que falahvam absurdamente.
Cleber Henrique disse…
Adorei o show com ou sem chuva, com ou sem som.
Quero agradecer por um seguidor do Borboletas de Jade nesta infindável caminhada de conhecimento e interação. Abraços e fica na paz.

Postagens mais visitadas deste blog

A voz do samba - O primeiro disco de Alcione

  “Quando eu não puder pisar mais na Avenida/ Quando as minhas pernas não puderem aguentar/ Levar meu corpo junto com meu samba/ O meu anel de bamba/ Entrego a quem mereça usar”. Ao lançar seu primeiro disco, ‘A voz do samba’, em 1975, Alcione viu os versos melancólicos de ‘Não deixe o samba morrer’ (Edson Conceição/ Aloísio Silva) ganharem o país, tornando-se o primeiro sucesso da jovem cantora. Radicada no Rio de Janeiro desde 1967, a maranhense cantava em casas noturnas que marcaram época nas noites cariocas. Nestas apresentações, seu abrangente repertório incluía diferentes gêneros da música brasileira, além de canções francesas, italianas e norte-americanas também presentes no rádio. Enquanto isso, o samba conquistava novos espaços na década de 1970. Em 1974, Clara Nunes viu sua carreira firmar-se nacionalmente com o disco ‘Alvorecer’, do sucesso de ‘Conto de areia’ (Romildo Bastos/ Toninho Nascimento). No mesmo ano, Beth Carvalho obteve seu primeiro êxito como sambista com ‘1...

Galeria do Amor 50 anos – Timóteo fora do armário (ou quase)

  Agnaldo Timóteo lançou o disco ‘Galeria do amor’ em 1975. Em pleno regime militar, o ídolo popular, conhecido por sua voz grandiloquente e seu temperamento explosivo, ousou ao compor e cantar a balada sobre “um lugar de emoções diferentes/ Onde a gente que é gente/ Se entende/ Onde pode se amar livremente”. A canção, que se tornaria um sucesso nacional, foi inspirada na famosa Galeria Alaska, antigo ponto de encontro dos homossexuais na Zona Sul carioca – o que passaria despercebido por boa parte de seu público conservador. O mineiro de Caratinga já havia suscitado a temática gay no disco ‘Obrigado, querida’, de 1967. A romântica ‘Meu grito’, feita por Roberto Carlos para a sua futura mulher, Nice, ganhou outras conotações na voz poderosa de Timóteo. “Ai que vontade de gritar seu nome, bem alto no infinito (...), só falo bem baixinho e não conto pra ninguém/ pra ninguém saber seu nome, eu grito só ‘meu bem'”, canta Agnaldo, que nunca assumiria sua suposta homossexualidade. ...

'Talismã': Bethânia entre o existencial e o popular - Há 45 anos

          Lançado em 1980, ‘Talismã’ manteve a popularidade e o êxito comercial conquistados por Maria Bethânia com seus álbuns ‘Álibi’ (1978) e ‘Mel’ (1979). Menos sensual e mais existencialista, o disco reúne composições inéditas que se tornaram sucessos, além de regravações de canções dos anos 1950. A tristonha ‘Mentira de amor’ (Lourival Faissal/ Gustavo de Carvalho) e o bolero ‘Eu tenho um pecado novo’ (Alberto Martinez/ Mariano Moares/ versão: Lourival Faissal) foram pinçadas do repertório de Dalva de Oliveira. O samba-canção ‘Cansei de ilusões’ é um clássico de Tito Madi. O mano Caetano comparece com quatro músicas novas: o marcante bolero ‘Vida real’; a delicada ‘Pele’, feita originalmente para Roberto Carlos; o místico samba ‘Gema’ e a impetuosa faixa-título ‘Talismã’, parceria com Waly Salomão. Feliz composição de Dona Ivone Lara, o samba ‘Alguém me avisou’ reúne Bethânia, Caetano e Gilberto Gil e se tornou um dos hits do disco. Gil é o autor de ‘...